07/04/2016 por Marco Ferrari

Taxa de rolha

Vez e outra, no meio dos enófilos, ganha importância o assunto sobre a taxa de rolha, aquele valor que o restaurante cobra do cliente que leva seu próprio vinho

taxa-de-rolhaE aí, está certo cobrar a rolha? Ou não?

Como sou um sujeito que aprecia demais as liberdades individuais, todas elas, vou me limitar a expressar o meu ponto de vista, que nessa questão é inabalável.

Não apenas é legítimo que o restaurante cobre uma taxa, chamada de rolha,  para quem prefere levar seu próprio vinho, mas deveria sutilmente mostrar para o cliente adepto desse hábito que é ele muito bem vindo, desde que se trate de um vinho de qualidade, raro, ou de alguma origem ou casta exótica, enfim, algum motivo que justifique a preferência perante as opções ofertadas pela casa.

Não considero motivo válido o fato de ter comprado o vinho na mega promoção do supermercado da esquina. A opção de levar vantagem com vinhos baratos demais me parece pouco ética. Quando quiser levar sua própria garrafa é de bom tom, pelo menos, ligar no estabelecimento, fazer uma reserva e comunicar ao sommelier a sua intenção.

Qual o valor que se deve cobrar pela taxa de rolha?

O valor da rolha não pode ser excessivo, algo entorno dos cinquenta reais me parece mais que suficiente.

Finalmente precisamos compreender a razão dessa cobrança, o vinho não é apenas um produto a ser consumido, envolve serviço, desde o garçom que literalmente serve o vinho, passando pelo investimento e o estudo que a equipe da casa fez para alcançar o patamar de excelência em que atuam, cursos de vinho são caros, manter-se atualizado significa saber se reciclar constantemente e isso para quem lida com vinho é sinônimo de degustar com frequência, isso custa caro, embora seja sem dúvida prazeroso.

As taças utilizadas precisam ser lavadas e repostas quando quebram, assim como precisa comprar abridores, montar adegas climatizadas e equipar a casa com baldes, champanheiras e demais acessórios.

Enfim, você deve levar aquele vinho que dorme em sua adega à espera da melhor ocasião para degustar, pedir o serviço adequado à equipe do restaurante, mas, por favor, não reclame a respeito da taxa de rolha, mostre seu respeito pelo vinho contribuindo para o bom serviço e verá que mais e melhores vinhos aparecerão em sua vida.

Até a próxima. Abraços.


Marco Ferrari
Marco Ferrari, italiano de Biella, no Piemonte, mora em Fortaleza desde 1991 e é profissional do vinho desde 1994. A paixão por essa bebida começou na infância quando ajudava minha família a colher as uvas e fazer vinho na chácara da minha avo materna.

Desde então sempre gostou de tudo que gira entorno do vinho, até o momento que surgiu a oportunidade de trabalhar diretamente com ele, de inicio na área comercial, de algum tempo para cá se dedica à divulgação da cultura do vinho como um todo, ministrando cursos, palestras e treinamentos na região.

Com o curso de sommelier da FISAR (Federação Italiana de Sommelier), entidade à qual é filiado, na FANOR, já formou 19 sommelier, muitos dos quais atuam nos melhores restaurantes da cidade e interior.

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