15/02/2016 por Paulo de Tarso

Mungunzá – O Nordeste consome o ano inteiro

Essa iguaria geralmente é usada nas festas juninas nordestinas ou em alguns restaurantes que proporcionam aos seus frequentadores comidas típicas da região Nordeste

Por Paulo de Tarso, o poeta de Tauá

 

Mungunzá ou Munguzá é uma comida feito do milho pilado consumida no Nordeste brasileiro o ano inteiro. No sertão, no velho pilão de madeira, num ritual bastante interessante que rendeu uma passagem num dos clássicos de Jackson do Pandeiro, “Casaca de Couro”, onde o poeta diz:

“Uma grita, outra responde

Uma baixa, outra também

Parece mulher pilando

Pro mode fazer xerém

Subindo e descendo as asas

Como o seio do meu bem”.

Hoje na sua grande maioria o milho para o mungunzá é encontrado já beneficiado em escala industrial esquecendo o velho pilão de madeira. Pode ser doce ou salgado, mas nas casas de fazendas do Nordeste ele é feito salgado, geralmente temperado com gordura de porco, ou outros ingredientes como Carne de gado, carne de porco, mocotó, linguiça, queijo-coalho, cabeça de porco etc.

Além do mais em várias regiões principalmente no Estado do Ceará costuma-se usar como mistura feijão ou fava, cozido juntos, sendo que o milho é o ingrediente principal e o feijão ou a fava apenas uma pequena mistura e o milho pode ser o branco ou vermelho.

Geralmente é consumido como jantar e por ser bastante forte é consumido no sertão por volta das 17 horas, para que dê tempo se fazer uma digestão. Prato especial que hoje com as facilidades de outras comidas perdeu um pouco a sua força.

Quando o Município de Parambu, era ainda pertencente ao Município de Tauá e chamava-se Cachoeirinha, um fazendeiro servia como refeição no almoço e no jantar o Mungunzá, chegando por lá um trabalhador paraibano que fazia versos conversando com os colegas disse o seguinte:

“Eu nasci na Paraíba,

Me criei no Ceará,

Moro na Cachoeirinha,

Município de Tauá

Quando o mês tem trinta dias

São sessenta Mungunzá”.

O fazendeiro sabendo dos versos do trabalhador mandou matar uma vaca gorda e durante vários dias os trabalhadores foram alimentados com carne e o mungunzá passou a ter um tempero mais recheado.

Já o mungunzá doce usa-se o milho branco, tendo como tempero, leite de coco ou vaca, fazendo uma espécie de caldo e temperando com açúcar, canela em casca ou pó, cravo da índia e em alguns casos leite condensado.

Essa iguaria geralmente é usada nas festas juninas nordestinas ou em alguns restaurantes que proporcionam aos seus frequentadores, comidas típicas da região Nordeste. Etimologicamente, a palavra é de origem africana e provém do kimbundo mu’kunza, que em português se traduz por «milho cozido»

Quantas saudades eu sinto

De um prato de mungunzá,

Feito por mãe, com carinho

Lá no meu lindo Tauá

Outro feito aquele ali

Em outro canto não há.

Fonte:

https://pt.wikipedia.org/wiki/Mungunz%C3%A1

 


Paulo de Tarso
Paulo de Tarso Bezerra Gomes (Paulo de Tarso, o poeta de Tauá), nasceu em 28 de abril de 1963, na Fazenda Confiança, Tauá-Ceará. O poeta tem mais de setenta cordéis publicados com variados temas: Luiz Gonzaga, Patativa do Assaré, Rachel de Queiroz. Temas políticos e históricos, com destaque para o A Guerra de Canudos e o Herói Conselheiro, O Beato Zé Lourenço e o Caldeirão, entre outros.

Foi selecionado e premiado no Prêmio Mais cultura “Patativa do Assaré” – Com o Cordel “O Quinze” Baseado na obra da Raquel de Queiroz. Tem dois CDs de poesia é declamador, ministra oficinas de cordel, é membro do Centro Cultural dos Cordelistas do Nordeste – CECORDEL e Academia Tauaense de Letras. É um apaixonado pela poesia de cordel e pelo repente de bons repentistas.

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Comente em “Mungunzá – O Nordeste consome o ano inteiro”

  1. Estrela do Norte disse:

    Poeta Paulo de Tarso é um grande conhecedor da nossa tão rica Cultura popular. Um parceiro que com muito zelo e respeito dissemina sua arte em forma de poesia, tem minha admiração, gratidão e respeito.
    Meu parabéns Norteando Você, seu site está mais rico culturalmente com este parceiro Paulo de Tarso!

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