15/07/2016 por Marco Ferrari

O vinho no mercado local

Em Fortaleza, os supermercados estão se dedicando aos espaços exclusivos para a bebida

O mercado local está cada vez mais diversificando a oferta de vinhos (Foto: Divulgação)

O mercado local está cada vez mais diversificando a oferta de vinhos (Foto: Divulgação)

Fortaleza conta hoje com um mercado de vinho que, embora formado por publico iniciante, cresce de forma importante ano após ano. Muitos representantes do varejo local se deram conta disso e estão desenvolvendo um trabalho especifico para atender as expectativas dos muitos enófilos que surgiram nos últimos tempos.

Diversificação

O investimento na diversificação da seção de vinho, desvencilhando-o das demais bebidas, é o primeiro passo importante para sua valorização, sobretudo se considerarmos que a diferença de todas as outras bebidas alcoólicas, o vinho é um produto absolutamente natural, feito a partir de um único ingrediente, a uva que prensada ou esmagada sofre a influencias das leveduras naturais presentes no meio ambiente, estas transformam o açúcar da fruta em álcool etílico, e é só; nada mais é acrescentado ao vinho, para alterar aroma ou sabor, nem será em momento nenhum fervido ou destilado para extração de mais álcool etc.

Como falei antes, um produto natural e saudável.

Diante disso e da demanda latente do mercado em formação, merece aplausos à iniciativa de algumas redes de supermercados locais as quais tem se destacado ultimamente com seções de vinhos variadas, ofertas para todos os bolsos e gostos, com rótulos mais baratos e outros bem mais valorizados, demonstrando assim a ambição de atender os mais variados segmentos de consumo, e todos os bolsos.

Estas lojas vão se somar àquelas das redes nacionais que já acumularam experiência em mercados mais evoluídos, como os das regiões Sul e Sudeste e chegam para somar esforços no sentido de impulsionar a cultura do vinho no estado.

Capacitação

O atendimento é de fundamental valia, quem vende tem que saber o que está vendendo (Foto: Divulgação)

O atendimento é de fundamental valia, quem vende tem que saber o que está vendendo (Foto: Divulgação)

Próximo passo, sem duvida, é o da capacitação e do atendimento primoroso; os atendentes que lidam com o público precisam estar preparados para satisfazer e, às vezes, antecipar os questionamentos do consumidor. Digo antecipar porque muitos dos que se aproximam da seção de vinho numa loja, não sabem direito o que escolher, mas tem receio de mostrar isso para os outros. O atendente então precisa estar pronto para dar uma “mini-consultoria” no pé da prateleira.

Literalmente, precisa entender, apenas conversando com a pessoa, qual o estilo de vinho que ela provavelmente prefere e, se for para presente, que tipo de pessoa será agraciado com o vinho, jovem, maduro, senhor, senhora, namorada, marido etc. O atendente não poderá estranhar descrições pouco “técnicas”, como suave para significar leve, ou “travoso” para identificar o tanino.

Conhecimento

Naturalmente, além disso, precisará conhecer como a palma da mão todos os vinhos presentes em sua loja, deverá necessariamente ter conhecido (degustado), todos os vinhos, além de estar por dentro das notícias e acontecimentos no mundo do vinho que, apesar de milenar, é muito dinâmico e abrangente.

O consumo do vinho não é uma espécie de moda passageira, existe e é consumido desde os tempos de Noé e veio para ficar (Foto: Divulgação)

O consumo do vinho não é uma espécie de “modinha” (Foto: Divulgação)

Uma formação assim demanda investimento de tempo e dinheiro, mas a recompensa vai muito além do aumento do faturamento, um profissional competente e valorizado agrega valor e fideliza o cliente, muito além da promoção do dia ou da política suicida de rasgar o preço para chamar o publico.

Nas próximas postagens tentarei dar uma força nesse sentido, atingindo da experiência acumulada em mais de 22 anos de profissão, entre consultorias e sala de aula, para tentar identificar o estilo de vinho mais indicado para cada tipologia de consumidor.

Vinho não é modinha

Antes de encerrar, porém, quero deixar um recado: como na vida nem tudo são flores, preciso lembrar aqueles gestores e administradores que ainda não abriram os olhos para o mercado do vinho, protelando, adiando ou pior, fazendo pouca conta disso, que o vinho não é uma espécie de moda passageira. Existe e é consumido desde os tempos de Noé e veio para ficar, em Fortaleza e no resto do Ceará, com certeza.

Senhores, o trem do progresso está passando, em tempo de mercado competitivo é melhor chegar cedo à estação, em lugar de correr atrás do trem, até porque, mesmo se conseguir subir nele em tempo, não vai ter vaga para sentar e a viagem em pé é muito mais dura. Para um bom entendedor…

Abraços, Até a próxima.


Marco Ferrari
Marco Ferrari, italiano de Biella, no Piemonte, mora em Fortaleza desde 1991 e é profissional do vinho desde 1994. A paixão por essa bebida começou na infância quando ajudava minha família a colher as uvas e fazer vinho na chácara da minha avo materna.

Desde então sempre gostou de tudo que gira entorno do vinho, até o momento que surgiu a oportunidade de trabalhar diretamente com ele, de inicio na área comercial, de algum tempo para cá se dedica à divulgação da cultura do vinho como um todo, ministrando cursos, palestras e treinamentos na região.

Com o curso de sommelier da FISAR (Federação Italiana de Sommelier), entidade à qual é filiado, na FANOR, já formou 19 sommelier, muitos dos quais atuam nos melhores restaurantes da cidade e interior.

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