22/04/2016 por Marco Ferrari

Viagem ao mundo dos vinhos

Conhecer e estudar mais ao fundo a história do vinho é também estudar sobre o homem

adega-de-vinhoHoje gostaria de fazer um convite a você que tanto carinhosamente, e pacientemente, nos lê. Um convite para uma viagem, uma viagem para lugares exóticos e distantes; um convite para viajar ao mundo dos vinhos.

E já vou pedindo desculpa, pois se esperava um convite para ir para alguma cidade moderna, com shopping centers luxuosos e fervilhantes de luzes, se imaginava alguma metrópole tecnológica e interligada como só em sonho, ou em viagem, o brasileiro pode ver; desculpem, mas não vai ser desta vez.

O mundo do vinho é feito de coisas simples, o vinho é feito pelo camponês, é produto da terra, de homens com as mãos calejadas e grossas, sua história se confunde com a história da humanidade e vara os séculos até nossos dias, com pequenas mudanças desde seus primórdios, mudanças que dizem respeito apenas à consciência que o homem adquiriu, à medida que seus conhecimentos evoluíram da superstição mística ao saber científico, modificando portanto sua forma de ver e administrar a produção do vinho. Apenas como forma de entender o processo, pois o vinho continua sendo feito por obra e graça da natureza, num ritual sagrado onde o homem apenas atua como coadjuvante, um fiel escudeiro eu diria, para que tudo ocorra conforme o Criador planejou e não desande para o vinagre, literalmente.

vinhosMas eu tinha prometido uma viagem, pois bem, a viagem é uma viagem de conhecimento, a viagem ao mundo dos vinhos não obriga a comprar uma passagem para lugares distantes, embora visitar regiões vinícolas seja fascinante. Não, nossa viagem é uma viagem de descobrimento da cultura milenar do vinho, é uma viagem que nos faz percorrer as etapas da civilização ocidental, desde que o velho Noé plantou a primeira videira ao descer da Arca, passando pelo vinho dos rituais ao Deus Dionísio dos gregos, dos bacanais latinos, dos monges Cistercienses da Borgonha; nos leva nas caravelas da era das grandes navegações até chegar aos jovens vinhos do Novo Mundo, encharcados de madeira, até as tendências atuais que já rechaçam este ultrapassado estilo.

Porque estudar sobre vinho é estudar sobre o homem e tudo de bom, e de ruim, que ele já aprontou sobre a terra. E a videira, como representante desta terra, por vezes castigada injustamente, está aí a testemunhar e nos contar tudo isso através de sua expressão mais sincera. O vinho senhores, o vinho.

Para fazer esta viagem não precisa de aeroporto e nem de 4×4, apenas um bom livro ou, se preferir, escolher um dos vários cursos que, cada vez mais por nossa sorte, surgem em nossa cidade, desde os básicos iniciantes até os profissionalizantes para se formar sommelier, como o que este humilde redator mantém junto à FANOR.

Aproveite, esta é uma viagem na qual você vai poder degustar a vontade, sem medo de bafômetro ou outras sandices.

Muito obrigado e até a próxima.


Marco Ferrari
Marco Ferrari, italiano de Biella, no Piemonte, mora em Fortaleza desde 1991 e é profissional do vinho desde 1994. A paixão por essa bebida começou na infância quando ajudava minha família a colher as uvas e fazer vinho na chácara da minha avo materna.

Desde então sempre gostou de tudo que gira entorno do vinho, até o momento que surgiu a oportunidade de trabalhar diretamente com ele, de inicio na área comercial, de algum tempo para cá se dedica à divulgação da cultura do vinho como um todo, ministrando cursos, palestras e treinamentos na região.

Com o curso de sommelier da FISAR (Federação Italiana de Sommelier), entidade à qual é filiado, na FANOR, já formou 19 sommelier, muitos dos quais atuam nos melhores restaurantes da cidade e interior.

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