11/03/2016 por Marco Ferrari

Saiba como harmonizar espumantes

Apesar de ser uma bebida para comemorações, o espumante não é apenas para festas. Saiba quando e com quais acompanhamentos consumir um bom espumante

O sommelier italiano Marco Ferrari é nosso novo colunista e vai trazer dicas relacionadas a vinho. (Foto: Reprodução)

O sommelier italiano Marco Ferrari é nosso novo colunista e vai trazer dicas relacionadas a vinho. (Foto: Reprodução)

Sou Marco Ferrari, italiano de Biella, no Piemonte, moro em Fortaleza desde 1991 e sou profissional do vinho desde 1994, minha paixão por essa bebida começou na infância quando ajudava minha família a colher as uvas e fazer vinho na chácara da minha avó materna.

Desde então sempre gostei de tudo que gira entorno do vinho, até o momento que surgiu a oportunidade de trabalhar diretamente com ele. De algum tempo para cá me dedico à divulgação da cultura do vinho como um todo, ministrando cursos, palestras e treinamentos na região.

Nosso ponto forte é o curso de sommelier da FISAR (Federação Italiana de Sommelier), entidade à qual sou filiado, que montamos na FANOR e está em pleno andamento. Em 2015 formamos 19 sommelier, muitos dos quais atuam nos melhores restaurantes da cidade e interior, e no próximo mês de maio formaremos nossa segunda turma de sommelier.

A partir desta semana estarei aqui todas as sextas-feiras para trazer para vocês diferentes dicas relacionadas a vinho, como harmonização, tipos das uvas, como escolher. Nos acompanhem e aproveitem ainda mais seus momentos com essa bebida deliciosa.

Harmonizando espumantes

Considerar o espumante um vinho para ser consumido apenas em festas e comemorações é um tanto quanto redutivo. O espumante nasce para celebrações e quanto a isso não temos dúvidas, porém suas características organolépticas peculiares, como o frescor e a vivacidade dada pela presença do gás carbônico (natural e não adicionado), nos permitem harmonizá-lo com vários pratos, inclusive com forte identificação com a culinária marítima de nossa cidade.

Vejamos como fazer isso tecnicamente

O espumante é fantástico com entradas, é excelente com sushi e sashimi e vai muito bem em qualquer momento. (Foto: Reprodução)

O espumante é fantástico com entradas, é excelente com sushi e sashimi e vai muito bem em qualquer momento. (Foto: Reprodução)

A principal característica do espumante é o frescor, aquela acidez suculenta que cutuca as papilas gustativas e ativa nossa salivação. Só de falar nele dá água na boca, sensação bem conhecida que acontece quando se aproxima o horário do almoço, logo antes de percebermos que, afinal, estamos com fome. Então não vamos desperdiçar esta maravilhosa dádiva e combinamos espumante com entradas, canapés e salgadinhos. Pode ir também com alguns frios, preparamos, assim o nosso espírito para apreciarmos o apetitoso almoço que virá a seguir. O espumante é fantástico para entradas.

O gás carbônico do espumante transmite uma sensação de limpeza que opera em nossas papilas gustativas, um verdadeiro detergente natural que refresca a boca e remove os sabores residuais daquilo que acabamos de comer, eis um motivo técnico pelo qual o nosso espumante fica ótimo com as comidas servidas ao longo de festas e eventos, para que a torrada de carne de sol, ou de caviar em casos mais afortunados, não atrapalhe o delicado petisco de camarão servido na sequência.

Espumantes secos vão muito bem com sushi e sashimi

O espumante também é excelente com sushi e sashimi. O frescor e a acidez típicas do tipo brut (seco) acompanham os sabores diferentes e, geralmente, marcantes do salmão cru e do atum, resguardam a delicadeza do robalo, não desdenham o gengibre, nem tampouco se intimidam com a raiz forte. Uma recomendação, divagar com o molho de soja, este já pode afetar o sabor, mas somente quando exageramos na dose.

Além dos casos acima, certamente um cálice de bom espumante vai bem quando estiver alegre, para comemorar; quando a tristeza quiser dominá-lo, para levantar o astral; no happy-hour. Quem sabe no almoço, mas fica melhor no jantar, antes, durante e depois. Pode ser consumido sozinho, mas cai melhor se bem acompanhado. No fim de semana ou ao longo dela e, obviamente sempre que tiver vontade, ou sede.

 

Por Marco Ferrari


Marco Ferrari
Marco Ferrari, italiano de Biella, no Piemonte, mora em Fortaleza desde 1991 e é profissional do vinho desde 1994. A paixão por essa bebida começou na infância quando ajudava minha família a colher as uvas e fazer vinho na chácara da minha avo materna.

Desde então sempre gostou de tudo que gira entorno do vinho, até o momento que surgiu a oportunidade de trabalhar diretamente com ele, de inicio na área comercial, de algum tempo para cá se dedica à divulgação da cultura do vinho como um todo, ministrando cursos, palestras e treinamentos na região.

Com o curso de sommelier da FISAR (Federação Italiana de Sommelier), entidade à qual é filiado, na FANOR, já formou 19 sommelier, muitos dos quais atuam nos melhores restaurantes da cidade e interior.

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