30/07/2016 por Marco Ferrari

Vinho Tinto: pequeno guia de escolha para presentear

Presentes ideais trazem características da relevância e envolvimento pessoal. O vinho é um deles

Conforme tinha prometido semana passada, vamos falar mais um pouco sobre a interessante tarefa de escolher um vinho para presente. Já falamos a respeito do local, da temperatura de conservação e da melhor exposição, todos os detalhes que nos fazem perceber o cuidado que o estabelecimento tem para com os vinhos. Seja seletivo, valorize seu investimento.

Falamos também da importância da figura do sommelier, o profissional que vai nos auxiliar na hora da escolha. Falta então falarmos a respeito do tipo de vinho e de como pode combinar com a personalidade do homenageado.

O vinho é presente para todas as idades, não somente para pessoas maduras (Foto: Divulgação)

O vinho é presente para todas as idades, não somente para pessoas maduras (Foto: Divulgação)

Vamos lá!

Antes de tudo, vamos desmitificar uma coisa: Vinho é presente para todas as idades. A ideia, erradíssima, que só pessoas maduras é que gostam de vinho, não tem absolutamente nada a ver.

Nos cursos e degustações que conduzo pelo Estado todo, cada vez mais pessoas jovens se interessam pelo vinho e gostam de se aprofundar em seu estudo e, o que mais importa, se interessam pela cultura ligada ao vinho, não apenas ao efeito que ele faz depois de bebido.

Dito isso, vamos considerar um caso clássico, o vinho para o marido, a esposa ou namorado/a; nesse caso, estamos diante de alguém que se conhece muito bem e os detalhes de sua personalidade são bem conhecidos, porém, às vezes, a questão da preferência do vinho não estão bem claras. Como fazer então?

A idade do presenteado

Over 65sAntes de tudo é preciso saber a idade. Se for uma pessoa madura, de boa condição financeira que tenha viajado e conhece outros países, será receptivo para os vinhos europeus, de regiões mais clássicas, como os Bordeaux ou Bourgogne, geralmente o perfil desse consumidor é mais para vinho tinto.

Com a maturidade, vem certa tendência conservadora e é provável que a preferência seja por vinhos mais austeros, encorpados, mas com a presença marcante da elegância e finesse. Dê preferência às regiões clássicas da Europa.

Se o bolso ficar pesado demais, não tem problema, corra para Portugal que costuma oferecer bons rótulos do Douro e da Bairrada a preços mais acessíveis que os tradicionais franceses.

Tintos italianos do Piemonte também são uma escolha repleta de classe e distinção, sobretudo os Barolo e Barbaresco. Caso o orçamento seja limitado, opte por um Barbera d’Asti ou Barbera d’Alba, não vai se arrepender.

A Espanha também se sobressai, prefira os Rioja Reserva ou Crianza; vinhos de grande elegância.

Beaujolais-Wine-GiftNo caso do homenageado ser de idade mais jovem, na casa dos trinta e poucos anos, dê preferência para o Novo Mundo e escolha vinho da Argentina. Malbec de lá geralmente é bem frutado, de bom corpo e bastante perfumado, vinhos ideais para um consumidor que aprecia vigor, opulência e a maciez da fruta.

O Chile também não fica para trás. Seus Cabernet Sauvignon, seus Syrah e Carmenere são os vinhos entre os mais consumidos no Brasil. Escolha com cuidado, sempre orientado pelo sommelier, para fugir do óbvio e garimpar bons produtores.

Os tintos do Brasil também são uma dica excelente. Surpreenda o homenageado com um Merlot do Vale dos Vinhedos, dos bons produtores de lá e o Cabernet Franc também costuma ser excelente. Eis aí uma interessante alternativa, de alta qualidade e fora da curva; são vinhos para quem gosta de ousadia e desafios, sobretudo para quem adora desmanchar lugares comuns, o vinho brasileiro tem muita qualidade sim, pode acreditar.

Vinhos Australianos e Californianos, se conseguir achar de boa qualidade, são uma excelente pedida, porém, é bastante raro por aqui; cuidado.

Nenhuma preocupação quando o rotulo é da Nova Zelândia, país que só produz excelências, sobretudo Pinot Noir e Sauvignon Blanc, sempre acima da média. O desafio é encontrar estes vinhos, raros assim como os Sul-africanos; nestes últimos prefira os da Casta Shiraz.

Jovem requintado

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O mais indicado para quem tem idade jovem, porém requintado e de bom gosto, é o vinho Europeu (Foto: Divulgação)

Para o consumidor jovem, porém requintado e de bom gosto, podemos indicar na Europa excelentes alternativas. Em Portugal, o Alentejo costuma responder bem, com vinhos frutados, opulentos e de bom impacto.

Na Itália, o ideal é o Chianti Classico ou o Brunello di Montalcino, onde a potência dos taninos se destaca e o nome é garantia de qualidade diferenciada. Caso o valor assuste, o que é bastante provável, opte por vinhos do sul da Itália, regiões como a Sicília, com seus vinhos do Etna e com os Nero d’Avola das regiões interioranas, representam uma opção que vai realçar a originalidade do presente.

Nada óbvios, estes vinhos são super concentrados e saborosos, opulentos e cheio de estilo, um tanto parecidos com os do Novo Mundo, embora menos opulentos e com um pouco mais de elegância.

O Primitivo da Puglia então é a coqueluche do momento: é um vinho intenso, encorpado, de taninos quase doces e repletos de fruta, impossível não gostar. Prefira os da Denominação Controlada Primitivo di Manduria, mais seletos, estes são produzidos a partir das uvas colhidas nos melhores vinhedos daquela região.

285Para não esquecer a Espanha, provavelmente este consumidor prefira vinhos mais encorpados e frutados, produzidos num estilo mais moderno, com bastante fruta e não muito envelhecidos, como os da Ribera del Duero, Castilla y Leon ou, caso encontre, Priorat ou Penedés; nestes últimos cuidado com o preço.

Alguns cuidados com relação à safra. No caso dos tintos o problema é menor, porém sempre precisamos verificar o estado do rótulo e da cápsula da rolha, não podem estar manchados, pois isso poderia significar que o vinho foi submetido a excursões térmicas elevadas, com risco de estar comprometido.

É importante também procurar se informar sobre o armazenamento daquele vinho antes de chegar à prateleira, qual a importadora e se passou por muitos intermediários antes de estar ali, detalhes que podem fazer a diferença.

Na próxima semana falaremos de Brancos, Rosés e Espumantes. Quando vamos consumir estes vinhos? Será que são uma boa opção de presente?

Aguarde que vai saber. Abraços e até a próxima!


Marco Ferrari
Marco Ferrari, italiano de Biella, no Piemonte, mora em Fortaleza desde 1991 e é profissional do vinho desde 1994. A paixão por essa bebida começou na infância quando ajudava minha família a colher as uvas e fazer vinho na chácara da minha avo materna.

Desde então sempre gostou de tudo que gira entorno do vinho, até o momento que surgiu a oportunidade de trabalhar diretamente com ele, de inicio na área comercial, de algum tempo para cá se dedica à divulgação da cultura do vinho como um todo, ministrando cursos, palestras e treinamentos na região.

Com o curso de sommelier da FISAR (Federação Italiana de Sommelier), entidade à qual é filiado, na FANOR, já formou 19 sommelier, muitos dos quais atuam nos melhores restaurantes da cidade e interior.

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