05/06/2016 por Norteando Você

Truman

Grande vencedor dos Prêmios Goya 2016 destaca a amizade em meio à dor da despedida

Cumplicidade em cena. (Foto: Divulgação)

Cumplicidade em cena. (Foto: Divulgação)

A vida revela a olhares mais atentos belezas extraordinárias. Independente de suas crenças, é incontestável que entre tantos absurdos sem explicação, podemos enxergar beleza nas pequenas coisas, muitas vezes escondidas no meio de distrações do nosso cotidiano. Acredito que TRUMAN é sobre o imenso valor de uma dessas belas invenções da nossa existência: os laços de amizade.

Parceiros desde sempre, Tomás (Javier Cámara) e Julián (Ricardo Darín) são os protagonistas de uma história que certamente irá capturar você. Tomás, que vive no Canadá, entendendo a importância de sua presença em um momento difícil da vida do amigo, viaja até Madrid para visitá-lo. A viagem representa também uma despedida, pois Julián está com um câncer incurável e decidiu parar o tratamento, utilizando o que lhe resta de tempo para encarar uma partida que considera mais digna e sem sofrimentos.

Parece um filme pesado, mas na verdade não é. Julián insiste em fazer com que esqueçamos da doença. Ao rever o amigo, que naturalmente se mostra incomodado com a situação, ele trata logo de meter no rosto seu melhor sorriso e programar diversos afazeres para dividirem juntos. O principal deles: encontrar uma família que adote seu outro grande parceiro, o cão boxer Truman.

Como deu para perceber, o filme todo envolve amizade. O próprio cão, conhecido como melhor amigo do homem, está aqui também para reforçar isso. Mas claro que temos outros temas para processar. A despedida é outro bem presente. E entre amizades e despedidas, o diretor catalão Cesc Gay, que poderia cair facinho no melodrama, opta por driblar tal artifício e fazer um trabalho que emociona ao trazer situações que poderiam perfeitamente acontecer na vida real.

Percebemos isso quando, por vezes, momentos são concluídos sem o desfecho esperado, com olhares e palavras não ditas tomando o lugar de falas geralmente presentes em filmes convencionais. E para que momentos como esses funcionem de verdade, temos em cena dois atores extraordinários. Ricardo Darín faz de Julián uma figura cativante, com o ator revelando seu monstruoso talento através da discreta resignação do personagem. Sem ficar atrás, o espanhol Javier Cámara (de FALE COM ELA) brilha na forma contida como se porta seu personagem Tomás, que mesmo tendo personalidade e pensamentos diferentes do amigo, procura estar ao lado para confortá-lo da melhor maneira.

Com a dupla arrastando os Goya (maior premiação do cinema espanhol) deste ano, que ainda rendeu à inspirada produção prêmios nas categorias de Melhor Filme, Direção e Roteiro Original, fica evidente que você está diante de uma belíssima experiência cinematográfica envolvendo a cumplicidade entre grandes amigos. Um filme que provoca risos, olhos marejados e um desejo imenso de pensar sobre a vida.

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