24/07/2016 por Márcio Bastos

Stranger Things

Magia dos filmes da década de 80 é resgatada em nova série da Netflix

Stranger Things é nostalgia pura. (Foto: Divulgação)

Stranger Things é nostalgia pura. (Foto: Divulgação)

Uma coisa que eu tenho saudade dos anos 80 são os filmes de um cara chamado Steven Spielberg. Conhece? Pois é, esse indivíduo moldou minha formação de um jeito definitivo através de diversas produções daquela década que até hoje estampam as paredes da minha memória. Como diretor ou produtor, ele parecia ter o toque de Midas transformando tudo o que se envolvia em ouro. É claro que sempre que quiser eu posso revisitar esses filmes, mas é impagável a sensação de viver mais uma vez o climão de inocência e fantasia spielberguiana em algo novo que pega no colo todos os clichês oitentistas que amamos e ainda consegue ter vida própria.

STRANGER THINGS é isso: nostalgia pura. Depois de passear por diversos gêneros, a Netfilx faz uma viagem no tempo para a década dourada do cinema americano e o resultado é uma série impagável. Nem J.J. Abrams, com seu SUPER 8, outra declarada homenagem a esse sagrado material dos anos 80, conseguiu tamanho acerto.

Quando tudo começa, o mergulho é instantâneo. Basta vermos os garotos Will Byers (Noah Schnapp), Lucas (Caleb McLaughlin) e Dustin (Gaten Matarazzo) em uma empolgada partida de RPG no porão da casa do amigo Mike (Finn Wolfhard) e PAAAH… conexões instantâneas são feitas em nossas mentes. A química entre eles é tão especial que fica evidente estarmos diante de uma série acima da média. Com o sumiço do Will, a turma fica desfalcada e logo se vê envolvida na maior aventura de suas vidas, deparando-se com uma garotinha misteriosa intitulada Eleven e intrigantes fenômenos sobrenaturais.

Vale ressaltar que os responsáveis pela seleção do elenco merecem aplausos de pé. Certamente não demorará muito para alguns dos desconhecidos nomes encabeçarem grandes filmes. Meu destaque vai para a talentosíssima Millie Bobby Brown – a Eleven –, que equilibra com maestria o olhar deslumbrado de alguém que parece estar descobrindo o mundo agora com o drama de quem carrega um enorme fardo nas costas.

Outra grata surpresa é a escalação da atriz Winona Ryder, queridinha dos anos 80 e 90. Meio sumida de produções de destaque faz algum tempo, ela reaparece de forma marcante encarnando Joyce Byers, mãe solteira que enfrenta quem quer que seja para provar que seu filho está vivo.

A série dos irmãos Matt e Ross Duffer – que passaram a ter minha total atenção a partir de agora – é um verdadeiro baú de maravilhas. Temos referência a OS GOONIES, CONTATOS IMEDIATOS DO TERCEIRO GRAU e, principalmente, E.T. – O EXTRA-TERRESTRE. E a lista não fica por aí, com outros nomes como Stephen King, John Carpenter e George Lucas também sendo reverenciados por seus admiráveis serviços prestados à cultura pop. Se você curte os trabalhos desses caras e é ligado em detalhes, prepara o BUCHO que o prato é cheio.

Com núcleos paralelos que, à medida que a série avança, entrelaçam-se, a Netflix entrega aos nostálgicos amantes de aventura, suspense e ficção científica 8 episódios embrulhados de presente – com uma 2a temporada já garantida. Uma declaração apaixonada para assistir de sorriso aberto do início ao fim.

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