29/05/2016 por Márcio Bastos

Memórias Secretas

Vingança contra nazista é tema principal de produção estrelada por Christopher Plummer

Encontro com o passado. (Foto: Divulgação)

Encontro com o passado. (Foto: Divulgação)

MARROIA! Em meio à briga dos grandes filmes de estúdio por espaço nas salas de cinema, num é que deram vez a um filme de baixo orçamento, com um protagonista da terceira idade que, mesmo trazendo como tema a vingança, não tem cenas mirabolantes de ação nem efeitos especiais de cair o queixo. Tô besta! Este eu não esperava ver na tela grande de um shopping.

Estrelado por Christopher Plummer (vencedor do Oscar de Melhor Ator Coadjuvante por TODA FORMA DE AMOR, de 2012), MEMÓRIAS SECRETAS traz em sua trama Zev Guttman, um homem de idade avançada que alimenta o desejo de vingança pelo nazista que matou sua família em Auschwitz. Com pistas sobre o seu paradeiro dadas pelo colega Max (Martin Landau, também oscarizado por ED WOOD, em 1994), outro que anseia pela morte do algoz da família, Zev foge do asilo em que vive para acertar as contas com o passado.

Assumindo a identidade de um ROAD MOVIE, onde o protagonista encara a estrada para tentar descobrir entre quatro pessoas quem é o seu verdadeiro alvo, logo percebemos que o “inglório justiceiro” terá que enfrentar em sua jornada outro grande desafio: a demência. Na viagem, passagens de sua vida são apagadas de repente e apenas uma carta no bolso com instruções do que deve fazer permite que ele se mantenha firme em seu objetivo.

Certamente, o interesse do diretor Atom Egoyan era o de nos envolver à medida que os acontecimentos vão dando sequência. A cada nova porta aberta, Zev é forçado a reacender memórias antigas e ter encontros com um passado cheio de dor e ressentimento. E o digníssimo senhor Plummer, que muita gente pode lembrar também pelo clássico A NOVIÇA REBELDE, faz sua parte com enorme competência. Sua determinação em dar um fim à “missão”, com todas as dificuldades apresentadas, é comovente. E mesmo sabendo que seu motivo é cometer um crime, nossa empatia pelo personagem é imediata, assemelhando-se muito ao desejo de vingança que sentimos em BASTARDOS INGLÓRIOS.

Contando também em seu elenco com Dean Norris (de BREAKING BAD) e com o sempre ótimo ator suíço Bruno Ganz, que já interpretou inclusive o próprio Führer nos cinemas, em A QUEDA! AS ÚLTIMAS HORAS DE HITLER, a produção germano-canadense ainda guarda para o final um PLOT TWIST (traduzindo: reviravolta DOIDERA) completamente inesperado. Somando tudo, acredito que o diretor alcança seu provável objetivo: o de falar sobre a estupidez do genocídio dando ao assunto uma abordagem nova que, de certa forma, subverte o que estamos acostumados a ver nas telas.

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