10/07/2016 por Márcio Bastos

Invocação do Mal 2

Longe de ser um clássico do terror, novo filme de James Wan mostra que está no caminho

Terror acima da média. (Foto: Divulgação)

Invocação do Mal 2: terror acima da média. (Foto: Divulgação)

Muito do medo está diretamente relacionado às experiências de vida de cada um. Por isso é tão complicado emplacar um filme de terror que seja certeiro no propósito de assustar pra valer seu público. E com diretores medianos geralmente à frente de produções do gênero, os resultados têm sido em sua grande maioria desastrosos, trazendo apenas uma sequência de incansáveis clichês e sustos forçados.

Dito isso, reza a lenda que de mil em mil anos nasce um novo clássico de fazer qualquer um CAGAR NAS CALÇAS. Exageros à parte, de tempos em tempos um talentoso diretor decide deixar sua marca em algo assustador. O nome do momento se chama James Wan. E sua recente investida, INVOCAÇÃO DO MAL 2, chega aos cinemas cercado de expectativas.

Dando sequência à elogiada produção de 2013, também do diretor, o novo FILME DE ALMA – como eu chamava quando era “MENINO VÉI” – consegue ficar, sem dúvida, acima da média das produções de terror atuais. A história não é nada original e diversas muletas do gênero marcam presença, mas ainda assim é notório o esforço em se atingir um resultado realmente assustador.

Inspirado em relatos tidos como reais, temos mais uma vez a clássica história da família assombrada por entidades malignas. Mas aqui o enredo se passa em Londres nos anos 70 e a tal família, composta pela mãe solteira Peggy (Frances O’Connor) e seus quatro filhos, vive em uma casa extremamente humilde.

A menininha atormentada da vez se chama Janet (Madison Wolfe) e todo o primeiro ato é desenvolvido especialmente em torno dela. O que achei interessante e diferente no filme é que nele não se perde tempo desenvolvendo um enredo inicial em que a principal vítima é a única a presenciar as atividades paranormais. Qualquer um que entra na casa pode ver móveis se arrastando sozinhos e outros fenômenos “MUTCHO LOCOS”.

Bem pontuado em seu início, com um passo a passo que contribui pra que nos identifiquemos com a família vítima do além, somos então conduzidos pra um segundo ato que é marcado pela chegada à Inglaterra do famoso casal Ed e Lorraine Warren (interpretados novamente por Patrick Wilson e Vera Farmiga). Convocados mais uma vez pela Igreja, eles chegam pra tentar solucionar o problema mas roubam atenção demais na história, o que me incomodou por tirar o foco que vinha sendo concentrado na família.

Com POLTERGEIST e O EXORCISTA como principais referências, INVOCAÇÃO DO MAL 2 é um filme que se divide entre ótimos momentos e alguns escorregões. Trazendo um orçamento infinitamente maior que seu antecessor – que custou US$ 20 milhões –, pode-se dizer que a sequência endinheirada peca mesmo por seu deslumbramento, passando do ponto no uso de efeitos especiais e recursos de câmera. Ainda assim, James Wan – que em breve dirigirá AQUAMAN, com Jason Momoa –, mostra ser um dos diretores mais talentosos do gênero na atualidade.

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