31/07/2016 por Márcio Bastos

Dois Caras Legais

Shane Black, roteirista consagrado por seus filmes de ação, investe como diretor em mais uma mistura de gêneros onde humor é a arma principal

Ryan Gosling e Russell Crowe em cena. (Foto: Divulgação)

Ryan Gosling e Russell Crowe em cena. (Foto: Divulgação)

Não é de hoje que Hollywood adora requentar filmes que trazem como protagonistas a velha dupla de policiais com traços diferentes que se completam. Dinâmica explorada em uma infinidade de produções – sendo grande parte completamente descartáveis –, vale nossa atenção quando a nova investida é de ninguém menos que Shane Black, roteirista de MÁQUINA MORTÍFERA, a maior franquia desse subgênero.

Em DOIS CARAS LEGAIS, o agora também diretor aposta no talento dos sempre bem-vindos Russell Crowe e Ryan Gosling. Certamente, a escolha dos atores dispensa comentários, mas não se anime muito nos comparativos com os filmes de Mel Gibson e Danny Glover. O novo filme investe “DICUMFORÇA” no humor e está mais para BEIJOS E TIROS – esse com a dupla Robert Downey Jr. e Val Kilmer –, outro ótimo trabalho com direção e roteiro de Black, lançado em 2005.

Ambientada nos anos 70, a trama trata de unir o experiente e bruto detetive Jackson Healy (Crowe) com Holland March (Gosling), um esforçado investigador particular que está longe de ser um exemplo de competência na profissão que escolheu. Juntos, os dois tentam descobrir o paradeiro de uma jovem chamada Amelia (Margaret Qualley) e, no rastro, percebem estar metidos em algo muito maior envolvendo a indústria pornográfica de Los Angeles.

Apesar do título sugerir estarmos diante de uma daquelas comédias abobalhadas – traduções nem sempre funcionam em outras línguas –, o filme, dentro do que se propõe, é preciso. É como se seu idealizador quisesse voltar mais uma vez ao BUDDY COP MOVIE que ajudou a criar e mostrar como se faz. Acrescentando, claro, novos elementos para não parecer estar simplesmente se repetindo.

Uma das escolhas que dá muito certo é a do tom inspirado nos filmes noir, trazendo o mesmo caráter confessional desse tipo de produção, onde geralmente um cínico detetive narra a história sob seu ponto de vista. Misture a isso o excelente timing humorístico dos protagonistas e um roteiro com ótimas piadas e você tem um belo entretenimento. Quando surge na tela uma Kim Basinger totalmente deslocada, muito provavelmente escalada por sua participação num cenário que traz vaga semelhança com LOS ANGELES – CIDADE PROIBIDA, a gente nem sente. As qualidades do filme ofuscam os defeitos.

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