10/03/2017 por Rafa Britto

Supere os desafios do hábito da Leitura

Fontes de conhecimento, cultura, imaginação, lazer e por que não, prazer? Não é à toa que o livro existe há mais de 5 mil anos e persiste como um refúgio e um combustível para a nossa evolução como seres humanos. Mas como incluí-los em uma rotina tão agitada?

Livros. Não seria metade de quem eu sou e nem cresceria metade do que posso ainda crescer sem eles. Como superar os desafios do hábito da leitura? Sabemos que são muitos, principalmente quando você é tragado pelos afazeres de uma rotina crazy e ainda conta com entretenimentos mais acessíveis como o smartphone.

Não, não sou daquelas que cresceram com os pais lendo para mim, estimulando idas às livrarias, nada disso. Minha mãe até lia um pouco alguns romances quando eu era criança, mas a leitura definitivamente não fazia parte do dia a dia de nossa família. Foi com a coleção Vagalume (quem cresceu nos anos 80 sabe bem do que estou falando) que comecei a viajar com a ficção e fui abrindo portas jamais pensadas, até hoje, a cada livro.

Claro, existe a literatura não ficcional – inclusive amo biografias, mas vou me ater aqui aos livros que nos trazem histórias inventadas, fantasias, lugares (geográficos e emocionais) aonde nunca imaginamos chegar antes. São mundos, situações, pessoas, maneiras de sentir, de falar, de se relacionar que te apresentam uma nova visão, te ampliam o mundo, te fazem compreender melhor as pessoas ao seu redor. Te tiram do lugar comum, você querendo ou não.

Foto: divulgação internet

O mundo das palavras

Paulo Freire já dizia que a leitura do mundo precede a leitura da palavra. Palavras que se formam diante da criatividade, dos sentimentos, dos desejos. Lembro bem do primeiro livro que me prendeu em plenas férias por total prazer, era um romance do Sidney Sheldon e eu tinha 14 anos. Pronto, dali pra frente fui experimentando autores, estilos, me descobrindo diante daquelas letras. 

Sempre tive a imaginação um pouco fértil e a leitura me estimula sempre a criar, sonhar, sentir, independente da idade, da chamada fase “adulta”. Não tem idade certa para imaginar um dragão a partir de uma nuvem no céu e criar toda uma história para aquele possível ataque. Pode parecer besteira, mas a imaginação nos leva aonde quisermos, profissional e pessoalmente.

Não me deixa envelhecer, no sentido mais mórbido da palavra, ao contrário, me enche de vida e de vontade de ler mais, escrever mais e, mais importante, entender mais as coisas que nosso repertório iletrado desconhece.

Até perto do final da faculdade, consegui manter um bom ritmo do hábito da leitura, não eram tantos, mas sempre estava com um livro da cabeceira, esse era o segredo na época. Com a rotina se tornando mais agitada, relacionamentos mais estreitos, mais trabalho, mais afazeres, fui perdendo um pouco a mão da leitura, acabei tragada pela “falta de tempo”.  

Pera, o tempo é meu, certo? Eu que gerencio, eu quem mando nessa bodega. As prioridades da nossa vida sempre cabe a nós elencar, quando isto não acontece, há algo que precisa ser revisto urgentemente. #ficaadica

Vez ou outra escuto alguém dizer que adoraria ler, mas não tem tempo, chega cansado em casa, os que têm filhos, claro que os elencam também, atividades extra-curriculares, família, preguiça, sono, ah, dá até pra escrever uma bíblia com essas desculpas.

Foto: divulgação internet

Como ler “sem tempo”

Como todo novo hábito a ser incorporado, exige um pouco de nós, obviamente. Incomoda no início, dá trabalho, mas amigo, te digo, se tu queres mesmo, vai na fé, de página em página, que as histórias vão transformar tanto o teu dia a dia que tu vai equilibrar bem mais o que faz no teu tempo livre.  

Há uns 3 anos eu passei por essa fase de querer recuperar o hábito e me coloquei uma meta – imprescindível em qualquer objetivo da vida: ler ao menos um livro por mês. Era 2014, terminei o ano com 20 livros lidos, entre autores brasileiros, europeus, americanos, histórias de romances, descobertas, suspense. A meta foi batida com folga, então me impus a nova meta de dois livros ao mês, sendo batida em 2015 (28 livros) e 2016 (28 livros).

Agora vamos lá, que horas eu leio tudo isso? Já que trabalho das 8 horas às 18 horas, corro 4x por semana antes das 7 horas e faço yoga 2x por semana à noite. Não tenho filhos, verdade, mas cuido de uma casa, dois gatos e tenho um relacionamento amoroso, que, óbvio, exige um mínimo de dedicação e tempo.

A dica é ler sempre nas brechas, levar consigo aonde for uma opção de livro de bolso ou um kindle da vida – algo que antes eu tinha preconceito besta e hoje tem é me ajudado a ler ainda mais. Fila do pão, sala de espera do médico, espera na fila do banco, avião, ônibus, aquele café enquanto espera alguém ou então sozinho mesmo. Antes de dormir dar aquela lida em um capítulo apenas ou em 10 páginas, melhora inclusive a qualidade do sono.

A gente cria as possibilidades, cria o tempo. Vale a pena, te digo. A leitura não só ensina coisas novas, ela nos move, nos transforma, nos liberta do mundo comum e nutre nossa inteligência, como dizia Sêneca.

Cumprindo minha função jornalística, aproveito para compartilhar também a excelente notícia de que o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu nesta quarta-feira (8) que livros eletrônicos (e-books) e equipamentos de suporte de leitura (e-readers, como o Kindle) ficarão livres de imposto, estendendo a imunidade tributária concedida pela Constituição para livros, jornais, periódicos e ao papel de impressão. Pode saber mais aqui.

Por que será? 😉


Rafa Britto
Libriana com ascendente em Touro, pernambucana abraçada pelo Ceará. Viciada em comunicação, seja ela escrita, falada ou observada. É jornalista, mas também corre, escreve poesia, faz yoga, medita, devora livros, toca violão e canta amadoramente, cozinha quando dá na telha, amante da vida.

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