17/02/2017 por Rafa Britto

E quando o “Vai dar certo!” não dá certo?

#VDC virou chavão e até arte na rua. Acho massa ver tanta gente sendo otimista e tendo fé de que vai dar tudo certo. Mas às vezes não dá, aí entra o #SQN. É importante aprender a controlar os estados mentais e direcionar a mente, lembrando que cada um de nós é o único responsável pela forma como se sente, em qualquer situação.

Ligar o #VDC, gíria consolidada para o “Vai Dar Certo”, é tão importante como ter consciência do #SQN, a versão para “Só Que Não”. Tinha um caderno onde eu colecionava frases na adolescência e uma delas era “o mundo é dos otimistas”, capturei de algum diálogo dos sidney sheldons da vida, no início da minha carreira de leitora.

Sempre refleti sobre essa frase aí, o fato dos otimistas estarem sempre confiantes, questão de energia fluindo acho e, talvez porque quando um projeto dá errado – porque dá, parte logo para o próximo, sem muitos agarramentos ao anterior e também porque mesmo o “ruim” pode parecer “bom”. 

Fui cultivando isso ao longo da vida e me considero do lado daqueles que enxergam o copo quase cheio, o lado otimista da coisa, mas respeito os realistas e os pessimistas. Só acho que passamos mais tempo de boas e sem viver um futuro que ainda não chegou e talvez nem chegue (pessimistas).

Foto: divulgação internet

E se der errado? E se não acontecer? Ok, a gente lida com isso. Como pessoas maduras emocionalmente, certo? Por isso acho super importante começar de criança a aprender sobre como lidar com frustrações, deixar os pequenos se frustrarem SIM, porque a vida é assim, então a gente aprende a chorar, “ahhhh mas eu queria”, até aprender a aceitar e passar para o próximo brinquedo. Com o tempo, essa virada de página vai se tornando mais tranquila, menos dolorosa.

Falar em criança, lembro demais do episódio em que aprendia a andar de bicicleta e caia me ralando toda e meu pai batia palma e falava sorrindo “levanta pra cair de novo!”. Eu nem chorava, levantava e já ia correndo tentar e cair de novo, morrendo de rir. E a vida é assim né? A gente cai, levanta e cai de novo. Aí levanta de novo e assim segue. Lidar com isso de boa, sorrindo, faz toda a diferença.

Ter disponibilidade para o aprendizado nos dá estado de ânimo mesmo quando se perde

Vivo ouvindo gente dizer que é melhor não esperar nada, porque pode não acontecer, pode não vir, então seria mais “seguro”. Ok, respeito. Mas prefiro dizer: miga, vai com tudo que vai dar certo, dá tudo de si. Em relação a tudo, uma prova, um emprego, um amor.  Mas pode não dar. Fato. Temos que aprender a lidar com a dor. Ignorar ou, pior, evitar, não é aconselhável por motivos de: você corre o risco de se agarrar ao sofrimento e este sim é opcional e consome bastante nossa cara energia, vai brincando. Tanto pessoas como situações têm algo de bom a nos oferecer. É reconhecer isso e sigamos, vira a página.

Queria ir a praia, preparou biquíni, protetor e frescobol. Amanhece chovendo com raios e trovões. E aí? Tudo bem, muda os planos, hora de colocar filmes e séries em dia com pipoca. Olha que gostoso!

Foto: divulgação internet

Vale a pena tentar mesmo sem saber se vai dar certo?

Se não deu, não deu. Não adianta dourar, não adianta minimizar. É ruim, vai sofrer, vai ficar P da vida, mas aceita, ressignifica* e bola pra frente. Sem mimimi. Vale a pena mesmo assim. Sempre. Nunca vamos sair menores da experiência de dar tudo de si.

*Ressignificar é dar um novo significado àquela frustração, àquela dor, e enxergar de forma diferente. Sim, tudo que pensamos e sentimos é gerado por nossa própria mente. O mundo é um só, mas há quem o enxergue como uma nuvem negra e há quem o enxergue como uma nuvem rosa. Mas o mundo é o mesmo, é um só. Depende do olho de quem vê.

Frustração é outra palavrinha subjugada e temida, ninguém quer sentir, certo? Sorry, todos nós reles mortais já sentimos ou iremos sentir. Tenha medo não, é um sentimento normal, assim como raiva, alegria, a maneira como ela é vivenciada é que faz com que o seu curso ganhe relevância ou não. Abraça a “frustra”, acarinha e depois deixa ela seguir o rumo dela.

Outra dica para ficar de boas quando o #VDC vira #SQN é saber quais são as nossas limitações e até onde se pode conseguir aquilo que estamos nos propondo. Reconhecer os limites e saber que existem obstáculos que não dependem de nós é fundamental. Afinal, não temos controle de tudo, outra grande verdade difícil de aceitar, mas amigo, aceita que dói menos.

Tem uma coisa que uma amiga sempre fala: “antes de dar certo, tem que dar errado antes, é assim”.

E não, nem sempre precisamos de um plano. Às vezes só precisamos respirar, confiar, deixar fluir e ver o que acontece.

Bem, tenho apostado nisso e tem dado certo. Me frusto às vezes? Claro! Mas bola pra frente! Acredito demais que a vida só vem pra quem vai, pra quem se joga, pra quem vive.

“Se eu tivesse mais alma pra dar eu daria, isso pra mim é viver”

Trecho da música Linha do Equador – Djavan


Rafa Britto
Libriana com ascendente em Touro, pernambucana abraçada pelo Ceará. Viciada em comunicação, seja ela escrita, falada ou observada. É jornalista, mas também corre, escreve poesia, faz yoga, medita, devora livros, toca violão e canta amadoramente, cozinha quando dá na telha, amante da vida.

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