03/07/2017 por Rafa Britto

Dicas para fazer o tempo desacelerar

“Nossa! Já estamos na metade do ano? Como está passando voando!”. Quem nunca falou ou ouviu essa expressão, certo? Por que será que sentimos que os ponteiros têm vida própria e correm contra nós mesmos?

“Por seres tão inventivo

E pareceres contínuo

Tempo tempo tempo tempo

És um dos deuses mais lindos

Tempo tempo tempo tempo…”

(“Oração ao tempo”, Caetano Veloso)

Já reparou que na medida em que vamos crescendo, adquirindo responsabilidades e deixando a rotina de criança de lado para dar vez à de “gente grande”, sentimos que o tempo ficou mais curto? Adoro refletir sobre esse tema porque, ao meu ver, a questão não está muito no calendário ser curto ou longo, está mais ligada ao quanto de vida tem nos nossos dias.

A primeira dica é bem simples: quebrar rotinas – apesar de considerá-las um tanto quanto charmosas. A arte de fazer o mesmo de forma diferente, estar presente conscientemente, independente se é segunda ou sexta ou domingo.

Aprendi que o tempo é um charme, encanta pelo que é capaz de nos ensinar. Que a vida é agora e nos dá a possibilidade de viver somente o que de fato vale a pena. E, mais importante, que o tempo pode ser atemporal.

Tempo cronológico x tempo existencial

Cronos e Kairós são termos gregos para designar o tempo. Cronos, o tempo medido pelo relógio, calendário, rotina. Kairós, o momento certo, oportuno, aspecto qualitativo do tempo. Chronos, do tempo cronológico, é cruel. Kairós, não. Kairós é a oportunidade, o tempo espiritual, o tempo existencial.

E tem mais. Tem um terceiro tempo, o tempo eterno: Aeon. Que é também um tempo lúdico, um tempo em que chronos não passa, Aeon é a vida inteira.

Foto: divulgação internet

Isso não abre toda uma nova perspectiva? Saber que existe o tempo medido, o tempo espiritual e a eternidade do tempo?

A segunda dica: não deixe a crueldade de Chronos atingir o Kairós e o Aeon. Como bem disse um amigo “que a desproporcional corrida dos ponteiros não se torne a atração principal na programação da vida”.

Se Kronos a tudo devora, que sejamos as migalhas que caem fora do prato.

Gerenciando o tempo

Já ministrei algumas vezes uma oficina de Gestão de Tempo, onde abordo o tema de forma mais pragmática, ampliando o sentido da agenda, dos compromissos, da reunião, do dentista, do jantar romântico. O tempo é a vida, é o que fazemos do dia, o que fazemos com nossa essência, nossos sonhos, nossas metas – pessoais e profissionais – que se fundem e se complementam.

Nosso dia a dia é repleto de coisas importantes (têm prazo, são pessoais, prazerosas e geram resultados), urgentes (precisam ser executadas imediatamente, geram estresse, e são imprevistos que trazem problemas se não executadas) e circunstanciais (podem ser urgentes ou importantes para os outros; excessos de perda de tempo desnecessários, contra a sua vontade, não geram resultados e trazem insatisfação, angústia, decepção).

Um bom exemplo de coisas circunstanciais é o tempo que passamos em compromissos sociais aos quais simplesmente não estamos com vontade, só para satisfazer o outro. Esse tempo não volta. Já algo urgente é quando protelamos um conserto de uma máquina de lavar ou do carro, por exemplo, e esperamos parar de funcionar para realizar a tarefa, gerando estresse desnecessário.

Dia de cão – quem nunca?

Todos nós podemos ter um dia de cão e ter a sensação de um dia perdido, mas podemos também ganhar o dia, bastando ir bem ali na beira-mar, molhar os pés na água e olhar a lua por alguns minutos. Ou, então, abrir um vinho e ver um bom filme. Ou, ainda, colocar um tênis e correr. São as coisas importantes, que por menor que sejam, fazem parte da nossa identidade e nos fazem ter a sensação de “viver” de fato o tempo que temos.

Existe uma gigante diferença entre viver e sobreviver, a pegadinha está exatamente aí. A diferença entre perder e ganhar tempo vai justamente nessa divisão.

Última dica: procurar fazer sempre coisas novas. Um novo caminho para o trabalho, dançar uma nova música (em casa mesmo, por que não?), um novo passeio no final de semana, cozinhar um novo prato, aprender uma nova língua, fazer uma trilha na cidade e por aí vai.

Afinal, quando foi a última vez que você fez algo pela primeira vez?


Rafa Britto
Libriana com ascendente em Touro, pernambucana abraçada pelo Ceará. Viciada em comunicação, seja ela escrita, falada ou observada. É jornalista, mas também corre, escreve poesia, faz yoga, medita, devora livros, toca violão e canta amadoramente, cozinha quando dá na telha, amante da vida.

Notícias relacionadas

Deixe aqui seu comentário