14/04/2017 por Rafa Britto

A correria não deixa?

A ideia da periodicidade da coluna é que seja semanal, mas às vezes a correria realmente não deixa. E tudo bem. Cá estou para compensá-los abordando essa “desculpa” que muitos de nós temos na ponta da língua. Podemos ressignificar, fazer as pazes com ela e focar na qualidade de vida, apesar de.

Foto: legenda internet

Essa coisa de correria, vida agitada, inúmeros afazeres é um tema que a humanidade moderna adora falar, discutir, virou senso comum ser adulto e ter uma vida corrida. O bom é que esse mesmo ser humano é capaz de ressignificar as coisas, alguns mais elevados são capazes até de transformá-las em arte.

Tem muitas músicas sobre isso, pinturas, poesias. Uma das músicas que mais me tocam sobre o tema é uma do Paulinho da Viola, gravada por Chico Buarque e título do disco de 1974, Sinal Fechado, traz justamente esse tema à tona. E me toca profundamente porque fala da vida Real, do quanto nos desencontramos do importante, do que justamente nos tira da correria. Sério, escutem o Chico cantando/dialogando com a Bethania e depois me digam como foi a experiência.

Quanto tempo o tempo tem?

Li recentemente sobre o documentário “Quanto Tempo o Tempo Tem”. Físicos, sociólogos, budistas, filósofos, juntos, refletindo e elucidando esse emaranhado de horas, segundos e dias que permeiam nossa existência.

Antes a gente estudava muito, para depois trabalhar muito, para depois curtir a vida. Só que esse curtir a vida era até os 65 anos, quando as pessoas morriam. Agora, as pessoas vão estudar a vida toda, trabalhar a vida toda e se divertir a vida toda, porque não dá mais para fragmentar.

No fundo, somos feitos de instantes.

Foto: divulgação internet

Foram a esses instantes que me dediquei no pouco tempo livre que tive nas últimas semanas. Não vou mentir, poderia ter sentado para escrever aqui no meu tempo livre, mas nesse mesmo tempo escolhi tocar um pouco violão e soltar a voz, coisa que não fazia há bastante tempo. Encontrei amigos que não via há um bom tempo. Fui para um show e curti na frente do palco, tomando uma ótima caipirinha. Coloquei em dia uma série há muito esquecida no montante. Li um livro que me capturou completamente (e que super indico: “Ainda Estou Aqui”, de Marcelo Rubens Paiva). Segui treinando com afinco para segunda Meia Maratona, que já desponta ali no comecinho de junho.

O tempo é curto? Acho que é uma questão de perspectiva. Não dá pra estar em dois lugares ao mesmo tempo, fato. Mas podemos procurar estar inteiros no exato lugar onde estamos. É isso que faz diferença e nos define enquanto seres humanos plenamente presentes na vida, plenamente atemporais. É o que temos, o hoje, o agora, o tempo presente.

 

 


Rafa Britto
Libriana com ascendente em Touro, pernambucana abraçada pelo Ceará. Viciada em comunicação, seja ela escrita, falada ou observada. É jornalista, mas também corre, escreve poesia, faz yoga, medita, devora livros, toca violão e canta amadoramente, cozinha quando dá na telha, amante da vida.

Notícias relacionadas

Deixe aqui seu comentário