20/06/2017 por Rafa Britto

Borboletas: sorte ou azar?

Cada um de nós tem uma maneira de encarar as coisas da vida. Uns têm mais facilidade de já enxergar a metade do copo cheio, ali na cara. Outros, têm a reação imediata de ver o negativo. Por exemplo, borboletas significam sorte ou azar? Só sei que a leveza de ver a sorte é tão perene quanto as suas asas.

Ver as coisas pelo lado positivo é algo muitas vezes nato. Acredito firmemente que é possível se aprender também. Criança, adolescente, adulto, idoso, não importa em que fase da vida você está, sempre é tempo de aprender e praticar a escolha da percepção, se positiva ou negativa, diante dos fatos.

Me considero uma dessas pessoas que costuma ver o lado bom, mas a catequização começou lá cedo, quando eu ainda nem andava. Tenho grandes exemplos nesse sentido em casa, na família. Painho até hoje me ensina a ver o lado positivo quando vez ou outra eu sucumbo e resolvo reclamar de algo.

“ah, pai, a prova foi mais ou menos, me lesionei e tive que terminar mancando.”

“mas minha filha, que coisa maravilhosa que você completou a prova! imagina se fosse uma lesão maior e tu tivesse que sair numa ambulância e não completasse?”

Quando se começa a ver as coisas pelo lado positivo ainda criança, claro que fica mais fácil, vira essência, entra no automático. Mas e quando acontece o contrário? É possível treinar a forma como reagimos diante das situações, tenho aprendido muito sobre isso com a yoga, a meditação e a própria psicanálise e psicoterapias proporcionam isso. São formas de confrontar conceitos que já temos entranhados.

Reconhecer, aceitar, querer mudar um hábito, observar esse hábito acontecendo e fazer diferente, só por pirraça.

Não podemos mudar o que nos acontece externamente, mas temos total poder e controle sobre como reagimos a tudo. Te digo, quando a gente aprende a dominar a nossa mente, conquistamos o mundo (interior, ao menos, o nosso mundo).

Três borboletas e o estigma do inseto

Esse tema me veio à mente porque justamente durante essa prova do diálogo acima, a Meia Maratona das Cataratas, em Foz do Iguaçu, três borboletas resolveram pousar na minha camisa durante o percurso.

Passou uma menina por mim, me chamando e dizendo, “olha, tem uma borboleta bem no seu nome, atrás da camisa.

Três borboletas me acompanharam boa parte do percurso na Meia Maratona das Cataratas. (Foto: Camilla Castro)

Isso é sorte heim?!”. E saiu sorrindo. Claro que pensei na poesia da coisa, na liberdade daquelas asas, pousando em mim e me dando sorte para completar a corrida, que estava sendo bem desafiadora.

Alguns quilômetros depois, passou outra corredora e olhou para mim dizendo “ei, tem uma borboleta em você! Quer que eu tire?”, obviamente achando que poderia me fazer mal, como se fosse uma barata ou algo assim. Na hora eu falei: “não! deixa elas aqui, significa sorte”.

Pois bem, duas maneiras de ver a mesmíssima situação, certo?

Qual a sua?

Mas vamos lá, fui atrás de alguns significados espirituais e culturais da borboleta. Eis o que temos “a borboleta é considerada o símbolo da transformação. Entre outros, simboliza felicidade, beleza, inconstância, efemeridade da natureza e da renovação.”

A borboleta é ainda o símbolo do renascimento para a psicanálise moderna, que é representada com asas de borboleta.

Na mitologia grega, a personificação da alma é representada por uma mulher com asas de borboleta. Segundo as crenças gregas populares, quando alguém morria, o espírito saía do corpo com forma de borboleta.

No Japão, a borboleta é o símbolo da gueixa e representa a figura feminina (mulher), visto que está associada à ligeireza, gentileza e graciosidade.

E por aí vai…

Sorte ou azar? Questão de percepção

Vamos combinar o seguinte, na próxima vez que você estiver com opinião formada sobre algo te aconteceu vamos praticar o outro lado da visão? Faz esse teste. Um exemplo bem corriqueiro:

Um carro que nos tranca de repente. Podemos xingar o motorista e achar que o trânsito está cheio de mal-educados. Ou, você pode achar que o motorista estava indo atender alguma emergência familiar. Acontece, certo? Nunca saberemos a verdade, mas a opção do xingar nos deixa irritados, nos suga. Poupe-se.

Vale sempre lembrar das várias possibilidades justamente nesses momentos. Nem tudo o que parece é.

Abrir a mente para as várias facetas de uma situação vai nos permitir ter o contato com a sorte, o positivo, não tem para onde correr, está ali, sempre. 😉


Rafa Britto
Libriana com ascendente em Touro, pernambucana abraçada pelo Ceará. Viciada em comunicação, seja ela escrita, falada ou observada. É jornalista, mas também corre, escreve poesia, faz yoga, medita, devora livros, toca violão e canta amadoramente, cozinha quando dá na telha, amante da vida.

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